INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS DE FABRICAÇÃO
Os processos de fabricação são métodos utilizados para transformar matérias-primas em peças ou produtos acabados, com formas, dimensões e propriedades específicas. Esses processos representam a base da produção industrial moderna e são fundamentais para o desenvolvimento de bens de consumo, equipamentos e estruturas diversas. A escolha do processo adequado está relacionada ao material a ser processado, à geometria desejada, às propriedades mecânicas necessárias, ao custo e à escala de produção.
A classificação dos processos de fabricação pode ser feita de acordo com diferentes critérios, como o tipo de processo, a forma de aplicação de energia, a temperatura de trabalho e a tensão envolvida durante a transformação do material.
Prof. Valdemir Alves Junior - IFSP - Campus Guarulhos
CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE FABRICAÇÃO
A diversidade de métodos empregados na indústria justifica a necessidade de classificação dos processos de fabricação. Essa organização facilita o estudo, o ensino e a aplicação técnica. Os principais critérios de classificação são:
1
Tipos de processos
Define a técnica utilizada para moldar ou transformar o material.
2
Tipo de energia envolvida
Distingue os processos com base na fonte de energia predominante (mecânica, térmica ou mista).
3
Temperatura de trabalho
Avalia se a operação ocorre em temperatura ambiente, elevada ou intermediária.
4
Tensão de trabalho
Identifica se o processo se baseia em deformação plástica ou na ruptura do material com remoção de material.
TIPOS DE PROCESSOS: AS CINCO FAMÍLIAS BÁSICAS
Os processos de fabricação mais comuns podem ser agrupados em cinco grandes famílias:
Conformação mecânica
Altera a forma do material por meio de esforços mecânicos aplicados, sem remover matéria.
Fundição
Consiste em fundir o material metálico e moldá-lo no estado líquido dentro de um molde.
Soldagem
Realiza a união permanente entre dois ou mais componentes metálicos por aquecimento localizado.
Metalurgia do pó
Forma peças compactando pós metálicos e sinterizando-os sob temperatura controlada.
Usinagem
Envolve a remoção de material por ferramentas de corte, a fim de alcançar a forma desejada.
Cada grupo emprega diferentes princípios físicos, equipamentos e técnicas operacionais, sendo adequado a diferentes tipos de produção e propriedades finais dos produtos.
USINAGEM: PROCESSOS COM E SEM REMOÇÃO DE CAVACO
A usinagem é um processo amplamente utilizado na indústria para dar acabamento ou forma final a peças metálicas. Ela pode ser classificada em:
Usinagem com remoção de cavaco
Envolve ferramentas que cortam o material e geram resíduos denominados cavacos. É o caso de operações como torneamento, fresamento e furação.
Usinagem sem remoção de cavaco
Utiliza energia física, química ou eletromagnética para modificar a peça sem produção significativa de resíduos. Processos como eletroerosão e jato abrasivo estão nessa categoria.
Esses processos exigem conhecimento sobre grandezas como velocidade de corte, avanço, profundidade de usinagem, força de corte, dissipação de calor e desgaste da ferramenta.
USINAGEM CONVENCIONAL: PRINCIPAIS PROCESSOS
A usinagem convencional envolve ferramentas de corte com geometria definida, geralmente operadas por máquinas como tornos, fresadoras e furadeiras. Entre os processos mais comuns, destacam-se:
Torneamento
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Usado para peças cilíndricas, realiza cortes rotacionais com ferramenta estacionária.
Fresamento
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Executa cortes com uma ferramenta rotativa em múltiplos eixos, útil para superfícies planas ou complexas.
Furação
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Cria furos com brocas giratórias.
Mandrilamento
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Melhoram a precisão dimensional de superfícies planas ou internas.
Retificação
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Emprega rebolos abrasivos para acabamento fino e alta precisão.
Esses processos requerem controle de parâmetros como rotação da ferramenta, força aplicada, tipo de material da peça e lubrificação para evitar superaquecimento e garantir a qualidade superficial.
USINAGEM NÃO CONVENCIONAL: ALTA PRECISÃO E MATERIAIS ESPECIAIS
Na usinagem não convencional, métodos mais avançados são utilizados, muitas vezes para materiais de alta dureza ou para formas muito complexas. Exemplos:
Jato d'água e jato abrasivo
Utilizam alta pressão de fluido (com ou sem abrasivos) para cortar materiais sem aquecimento.
Eletroerosão (EDM)
Remove material por faíscas elétricas entre eletrodo e peça imersa em fluido dielétrico.
Eletroquímica
Dissolve o material por meio de reações eletroquímicas.
Feixe de elétrons, laser e plasma
Processos térmicos com foco em precisão extrema e cortes complexos.
São processos altamente controláveis, indicados para peças delicadas, materiais duros e aplicações aeroespaciais ou biomédicas.
FUNDIÇÃO: FORMAR PEÇAS A PARTIR DO METAL LÍQUIDO
A fundição é um dos processos mais antigos da humanidade. Nele, o metal é aquecido até atingir o estado líquido e depois vertido em moldes com o formato desejado. Após o resfriamento e solidificação, obtém-se a peça.
Existem diferentes técnicas de fundição, como:
  • Fundição em areia
  • Fundição sob pressão
  • Fundição em coquilha
Este processo permite a fabricação de peças com formas complexas, com custo relativamente baixo em grandes quantidades. São comuns na indústria automotiva, de construção e na fabricação de componentes estruturais.
SOLDAGEM: UNIÃO DE COMPONENTES POR FUSÃO
A soldagem é um processo essencial na montagem de estruturas metálicas. Ela permite a união permanente de partes metálicas por meio da aplicação de calor, com ou sem material de adição.
Soldagem por arco elétrico
MIG, TIG, eletrodo revestido
Soldagem por resistência elétrica
Utiliza corrente elétrica e pressão
Soldagem por fricção ou ultrassom
Utiliza movimento mecânico para gerar calor
Parâmetros como corrente elétrica, tipo de gás, tempo de exposição ao calor e preparação da junta influenciam diretamente na resistência final da solda.
METALURGIA DO PÓ: FORMAR PEÇAS SEM FUNDIÇÃO
Neste processo, pós metálicos finos são compactados em moldes sob pressão e depois aquecidos (sinterizados) a temperaturas abaixo do ponto de fusão do metal.
As principais vantagens incluem:
  • Redução de desperdício de material
  • Capacidade de fabricar peças com geometrias complexas
  • Obtenção de propriedades específicas pela mistura de diferentes metais
É bastante utilizado na produção de engrenagens, buchas, filtros metálicos e peças automotivas.
CONFORMAÇÃO MECÂNICA: MOLDAR O METAL COM FORÇA
A conformação mecânica transforma o metal sem removê-lo, apenas alterando sua forma por meio de tensões mecânicas. Pode ocorrer a frio ou a quente. Exemplos:
Laminação
Redução da espessura por meio de rolos.
Extrusão
Forçar o metal por um orifício moldante.
Trefilação
Alongamento por tração, geralmente de fios.
Forjamento
Compressão entre matrizes, comum em eixos e ferramentas.
Estampagem
Molda chapas metálicas por prensagem.
Esse processo aproveita a ductilidade do metal, sendo ideal para grandes séries e peças com boa resistência mecânica.
CLASSIFICAÇÃO PELO TIPO DE ENERGIA ENVOLVIDA
Processos mecânicos
Utilizam principalmente forças mecânicas.
Ex.: usinagem, conformação a frio.
Processos metalúrgicos
Baseiam-se na energia térmica.
Ex.: fundição.
Processos intermediários
Utilizam tanto força quanto calor.
Ex.: conformação a quente.
Cada tipo exige controle de variáveis físicas como tensão, temperatura, tempo de exposição, energia elétrica, entre outras.
TRABALHO A FRIO: DEFORMAÇÃO SEM AQUECIMENTO
Nos processos realizados a frio, o material é moldado abaixo da sua temperatura de recristalização. Isso resulta em aumento da resistência mecânica, mas reduz a ductilidade.
Processos de Conformação Mecânica
Os processos de conformação mecânica são utilizados para moldar e dar forma a peças metálicas através da aplicação de forças e deformação plástica. Alguns exemplos típicos desses processos incluem:
  • Usinagem: Processo de remoção de material por meio de ferramentas de corte.
  • Trefilação: Processo de estiramento de barras ou fios metálicos através de uma matriz, reduzindo seu diâmetro e aumentando seu comprimento.
  • Estampagem: Processo de conformação de chapas metálicas por meio de matrizes e punções.
  • Laminação a Frio: Processo de redução da espessura de chapas metálicas por meio da passagem entre cilindros, gerando encruamento do material.
Esses processos de conformação mecânica demandam a aplicação de forças significativas, o que pode gerar alterações estruturais internas nos materiais, como o encruamento. Essa deformação plástica do metal é fundamental para a obtenção de peças com as características desejadas.
TRABALHO A QUENTE: DEFORMAÇÃO COM AQUECIMENTO
Trabalho a Quente: Maior Deformação com Menor Esforço
Quando o material é aquecido acima da temperatura de recristalização, a deformação ocorre com recuperação dinâmica da estrutura cristalina. Isso permite que o material sofra maiores reduções de forma com um esforço mecânico consideravelmente menor, se comparado ao trabalho a frio.
Principais Processos de Trabalho a Quente
  • Forjamento a Quente: Processo de conformação de peças metálicas por meio da aplicação de pressão e impacto em altas temperaturas.
  • Extrusão a Quente: Processo de conformação de barras, tubos e perfis metálicos por meio da passagem forçada do material aquecido através de uma matriz. Possibilita a fabricação de peças com seções transversais variadas.
  • Laminação a Quente: Processo de conformação de chapas, barras e perfis metálicos por meio da passagem entre cilindros giratórios, com o material aquecido a altas temperaturas.
Essas técnicas de trabalho a quente são amplamente utilizadas para promover grandes deformações em peças metálicas, resultando em uma microestrutura refinada e boa resistência mecânica, sem a ocorrência de trincas ou defeitos.
CLASSIFICAÇÃO PELA TENSÃO DE TRABALHO
Deformação plástica
A tensão aplicada é menor que a tensão de ruptura. O material se deforma, mas mantém sua integridade. Ex.: forjamento, laminação.
Remoção metálica
A tensão aplicada supera a tensão de ruptura, causando a separação do material. Ex.: usinagem, estampagem de corte.
A correta escolha entre essas duas abordagens depende do resultado desejado e da função do componente fabricado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHAVES, A. P. Tecnologia da Fabricação Mecânica. Edgard Blücher, 2010.
AMARAL, D. C. Processos de Fabricação. Pearson Education, 2014.
FERREIRA, S. L. Fundamentos dos Processos de Fabricação. LTC, 2016.
KALPAKJIAN, S.; SCHMID, S. Manufacturing Processes for Engineering Materials. Pearson, 2013.
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